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Habemus Phosphorum, habemus lucem

“Phosphorus lucet in tenebris” (O fósforo ilumina a escuridão)

Os vagalumes brilham durante a noite, em uma dança de cores e luzes diferentes. Era uma visão comum na minha infância, mas hoje é cada vez mais difícil de observar — seja por motivos ecológicos, seja por mudanças nos nossos hábitos.

O brilho dos vagalumes não seria possível sem a ação daqueles seres invisíveis que habitam o solo. Apesar da participação de várias moléculas orgânicas e enzimas, o ator principal dessa bela imagem noturna é o fósforo. A luz é emitida quando o fósforo se desprende de uma molécula chamada luciferina, por ação enzimática e na presença de oxigênio.

Luz é energia — e sem energia, não há vida.

Sem fósforo, também não há vida.

O fósforoé um elemento de ciclo aberto, pois não possui uma etapa gasosa expressiva como o nitrogênio, por exemplo. Para que ele se mova da rocha para o solo, e do solo para as plantas, precisa estar em uma forma disponível ou lábil.

As formas indisponíveis do fósforo podem estar ligadas de forma inorgânica ou orgânica. E é aí que entram em cena aqueles seres invisíveis.

Os micro-organismos do solo atuam como “mineradores” de fósforo, permitindo que o vagalume brilhe e que eu possa, aqui, gastar energia na forma de ATP para escrever este texto.

Como atuam os micro-organismos “mineradores” de fósforo?

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As ferramentas usadas nessa “mineração” são enzimas, ácidos orgânicos ou inorgânicos, e agentes quelantes também chamado de sideróforos.

Enzimas como as fosfatases atacam as formas orgânicas de fósforo, como o fitato, uma das mais abundantes no solo. Essas enzimas estão amplamente distribuídas entre fungos e bactérias. Aspergillus, Trichoderma, Bacillus e Pseudomonas são alguns dos “mineradores” que utilizam essa ferramenta.

Outra ferramenta importante são os ácidos orgânicos. Por exemplo, os ácidos cítricos produzidos por fungos como Aspergillus e o ácido glucônico produzido por Pseudomonas competem com o ferro (Fe) e o alumínio (Al), liberando o fósforo no solo.

Por fim, uma grande variedade de micro-organismos produz sideróforos — compostos que quelam metais como Fe e Al. Esses quelantes podem ser usados para inibir competidores, transportar metais essenciais ou disponibilizar fósforo para as plantas.

Por fim, esse fósforo minerado muitas vezes precisa ser transportado. É aí que entram os fungos micorrízicos, que, com suas redes de hifas, alcançam locais onde as raízes não conseguem chegar. Eles absorvem o fósforo e o transportam até as plantas.

Sem esses micro-organismos do solo, só existiria escuridão

Habemus “microbius”

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Biólogo graduado pela UFV, com Mestrado em Microbiologia Agrícola e Doutorado em Solos e Nutrição de Plantas pela ESALQ/USP. Atuou como Pós-Doutor na Embrapa Meio Ambiente, com financiamento da Fapesp. Possui MBA em Gestão de Negócios e Data Science pelo PECEGE/USP. Com 10 anos de experiência como professor em instituições de ensino superior, destacou-se por 3 anos na ESALQ/USP. Atualmente, é Diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Itatijuca Biotech, onde se dedica ao desenvolvimento de tecnologias baseadas em micro-organismos para o uso eficiente de fertilizantes e no controle de pragas e doenças

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