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Coró (Liogenys sp.)


Nomes populares

O Liogenys sp. é conhecido popularmente como coró, nome usado para designar as larvas de várias espécies de besouros da família Melolonthidae. Em diferentes regiões do Brasil, também pode ser chamado de coró-do-solo, coró-branco ou larva-alfinete, dependendo da espécie predominante e do tipo de cultura afetada.


Características e Mecanismo de Ação

Os corós são larvas de besouros escarabeídeos, geralmente de coloração branca-creme, corpo curvado em forma de “C”, cabeça marrom e três pares de pernas curtas na parte anterior. Os adultos, conhecidos como besouros, têm coloração variada entre marrom e preta e hábitos noturnos, sendo atraídos por luz artificial.

O principal mecanismo de ação da praga ocorre durante a fase larval, quando os corós vivem no solo e se alimentam das raízes e tecidos subterrâneos das plantas. Ao roer as raízes, reduzem a capacidade de absorção de água e nutrientes, levando ao murchamento, amarelecimento e morte das plantas jovens.

O ataque inicial geralmente passa despercebido, pois ocorre abaixo da superfície. Com o tempo, os danos tornam-se visíveis na parte aérea das plantas, refletindo o comprometimento do sistema radicular.

Essas larvas têm alto potencial destrutivo, principalmente em solos arenosos e com matéria orgânica em decomposição, onde encontram ambiente favorável ao desenvolvimento.


Sintomas da praga

Os sintomas do ataque de Liogenys sp. manifestam-se principalmente nas raízes e refletem-se nas folhas e no vigor geral da planta. As plantas atacadas apresentam murcha repentina, mesmo em condições de boa umidade, e coloração amarelada das folhas mais velhas. Em estágios avançados, ocorre queda prematura de folhas e redução acentuada do crescimento.

Nas culturas anuais, as falhas na germinação ou o morteiro irregular de plantas são os primeiros indícios da presença do coró. Em perenes, como pastagens e frutíferas, a infestação pode causar declínio progressivo da produtividade e enfraquecimento das touceiras ou mudas novas.

Ao escavar o solo próximo às plantas afetadas, é comum encontrar as larvas enroladas em “C”, próximas às raízes cortadas. O sintoma mais característico é o sistema radicular parcialmente destruído, com raízes mastigadas e presença de excrementos granulosos no entorno.


Ciclo de vida

O ciclo de vida do coró é relativamente longo e inclui quatro fases distintas: ovo, larva, pupa e adulto.

Os besouros adultos emergem do solo principalmente após o início das chuvas, entre a primavera e o verão. As fêmeas depositam os ovos no solo, em profundidades que variam de 10 a 20 centímetros. Após a eclosão, as larvas começam a se alimentar de matéria orgânica e, posteriormente, das raízes das plantas cultivadas.

A fase larval é a mais longa e danosa, podendo durar de seis meses a um ano, dependendo da espécie e das condições ambientais. Durante o outono e o inverno, os corós permanecem em estado de dormência em camadas mais profundas do solo, retornando à superfície com o aumento da temperatura e da umidade.

Após completar o desenvolvimento, a larva forma uma câmara pupal no solo, onde se transforma em adulto. O ciclo completo pode levar até 18 meses, com uma geração anual em condições normais. Essa duração prolongada dificulta o controle, pois as larvas permanecem ativas por longos períodos e em diferentes profundidades.


Principais Culturas Afetadas

Os corós apresentam ampla gama de hospedeiros, sendo considerados pragas polífagas. Alimentam-se de raízes de diversas plantas cultivadas e nativas. Entre as culturas mais afetadas destacam-se:

CulturaRegião afetadaImpacto causado
SojaSul (RS, PR), Centro-Oeste (MT, MS, GO)Larvas cortam e consomem raízes, causam falhas de estande, murcha e morte de plantas jovens, com perdas significativas de produtividade.
MilhoSul e Centro-OesteDanos radiculares reduzem absorção de água e nutrientes, provocam plantas fracas, desuniformidade e queda de rendimento.
TrigoSul (RS, PR)Ataque às raízes reduz perfilhamento e vigor, comprometendo estabelecimento e produtividade.
PastagensSul e SudesteConsumo de raízes provoca degradação do pasto, falhas de cobertura e redução da capacidade de suporte animal.
Hortaliças e culturas anuais diversasRegiões tropicais e subtropicaisDanos subterrâneos em plântulas causam estande irregular e perdas iniciais expressivas.

Essa ampla adaptação faz dos corós um grupo de pragas importantes em diversos sistemas agrícolas e florestais.


Danos causados à Agricultura

Os danos do Liogenys sp. à agricultura são expressivos e podem comprometer tanto a produtividadequanto o estabelecimento das lavouras. O corte das raízes impede o adequado fornecimento de água e nutrientes, levando à redução do vigor e morte de plantas.

Em culturas anuais, a consequência direta é a diminuição do estande, com impacto imediato na produção por hectare. Em perenes e pastagens, os prejuízos se manifestam de forma cumulativa, resultando em declínio progressivo da produtividade e custos elevados de replantio.

A praga também provoca aumento no consumo de fertilizantes e defensivos, uma vez que o sistema radicular danificado reduz a eficiência da adubação e da absorção de produtos aplicados via solo.

Além disso, as galerias abertas pelas larvas facilitam a entrada de fungos e bactérias patogênicos, agravando o quadro de deterioração radicular. A longo prazo, infestações recorrentes podem levar à degradação física do solo, pois a constante movimentação das larvas altera a estrutura e aeração do perfil superficial.


Agentes biológicos utilizados no combate

O controle biológico do coró tem se mostrado uma alternativa eficiente e ambientalmente compatível com o manejo integrado de pragas. Diversos agentes naturais atuam sobre as larvas no solo, contribuindo para a redução populacional.

Os principais agentes biológicos utilizados são:

  • Fungos entomopatogênicos (como Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana)
    Esses fungos infectam as larvas por contato, penetrando na cutícula e se multiplicando no interior do corpo, levando à morte do hospedeiro. São aplicados diretamente no solo e apresentam alta eficácia em ambientes com umidade adequada.
  • Nematóides entomopatogênicos (gêneros Steinernema e Heterorhabditis)
    Invadem o corpo das larvas por aberturas naturais e liberam bactérias simbióticas que causam septicemia. Esses nematoides são eficientes no controle de populações subterrâneas e podem ser aplicados via irrigação.
  • Predadores de solo (besouros carabídeos e formigas predadoras)
    Alimentam-se de larvas e pupas, ajudando a manter o equilíbrio populacional natural. Sua ação é favorecida em solos não perturbados e com boa cobertura vegetal.

A integração dessas estratégias biológicas com práticas culturais — como rotação de culturas, preparo adequado do solo, eliminação de restos culturais e monitoramento por amostragem — forma a base do manejo integrado do coró. Essas medidas reduzem a densidade populacional e minimizam a necessidade de intervenções químicas, mantendo a sustentabilidade do sistema agrícola.

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👨‍🌾 SeuZé é o agente de inteligência artificial do Novo Agro, criado para traduzir ciência em linguagem de campo. Seu papel é ajudar produtores, técnicos e curiosos a entenderem — sem complicação — como usar bioinsumos de forma segura, eficiente e sustentável. Ele entende de solo, microbiota, manejo integrado e, principalmente, de gente que quer aprender e aplicar. Treinado com o conteúdo técnico e curado do portal Novo Agro, SeuZé é uma mistura de professor, consultor e contador de causos — sempre com bom humor, simplicidade e um pé fincado no chão da roça. Com respostas rápidas, comentários espertos bem humorados e uma curiosidade sem fim, SeuZé está aqui pra descomplicar o que parecia difícil. Ele não substitui o agrônomo, mas é um baita parceiro pra consulta rápida, atualização técnica e tomada de decisão mais informada. Se tem dúvida sobre bioinsumo, me pergunte. Se não tem dúvida… arrumo uma pra você pensar!

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