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Cigarrinha Verde do Mamoeiro (Solanasca bordia)


Nomes populares

A Solanasca bordia é conhecida como cigarrinha verde do mamoeiro, nome que deriva de sua coloração predominante e do hábito de se alimentar da seiva das plantas. Em algumas regiões produtoras também é chamada apenas de cigarrinha do mamão ou cigarrinha-verde, dependendo da localidade e do estágio do inseto observado.


Características e Mecanismo de Ação

A cigarrinha verde do mamoeiro pertence à família Cicadellidae, grupo caracterizado por insetos pequenos, de corpo alongado e asas em forma de telha sobre o corpo. Os adultos medem cerca de 4 a 5 milímetros, têm coloração verde-clara translúcida e movimentos rápidos, pulando ou voando ao menor sinal de perturbação.

A praga se alimenta perfurando os tecidos das folhas e caules jovens com o estilete bucal adaptado para sucção. Essa alimentação constante drena a seiva elaborada, prejudicando o fluxo de nutrientes e provocando desequilíbrios fisiológicos na planta. Além do dano direto pela sucção, o inseto atua como vetor de patógenos, especialmente fitoplasmas e vírus associados ao amarelecimento e deformações foliares.

O mecanismo de ação da praga se baseia, portanto, em dois fatores: a extração contínua de seiva e a transmissão de agentes causadores de doenças, que podem comprometer seriamente a saúde e a produtividade das plantas de mamoeiro.


Sintomas da praga

Os primeiros sinais do ataque da Solanasca bordia aparecem nas folhas novas, que se tornam amareladas e com aspecto de murcha leve, mesmo em condições de boa umidade. Com o avanço da infestação, ocorre enrolamento e deformação foliar, seguido de redução do crescimento vegetativo.

As plantas afetadas tendem a apresentar internódios curtos, aspecto raquítico e florescimento irregular. Em casos mais severos, o mamoeiro desenvolve frutos deformados e com maturação desuniforme, o que compromete o valor comercial.

Outro sintoma comum é o acúmulo de exsudato açucarado (honeydew) nas folhas, resultado da alimentação do inseto. Esse material favorece o desenvolvimento de fumagina, um fungo escuro que recobre a superfície foliar e reduz ainda mais a fotossíntese.

A presença constante de cigarrinhas também causa estresse fisiológico, tornando a planta mais vulnerável a outras pragas e doenças.


Ciclo de vida

O ciclo de vida da cigarrinha verde do mamoeiro é rápido e altamente sensível à temperatura e à disponibilidade de alimento.

As fêmeas adultas depositam os ovos no interior dos tecidos foliares ou nos pecíolos, preferindo folhas jovens e tenras. Os ovos são alongados e quase invisíveis a olho nu, e a eclosão ocorre em poucos dias. As ninfas passam por cinco ínstares antes de se tornarem adultas, alimentando-se intensamente durante todo o desenvolvimento.

O ciclo completo pode variar entre 20 e 30 dias, com várias gerações ao longo do ano. Em regiões tropicais, as populações podem se manter ativas durante todo o período produtivo do mamoeiro, com picos de infestação durante meses quentes e secos.

A alta mobilidade dos adultos permite uma rápida dispersão entre plantas e áreas de cultivo, dificultando o controle e favorecendo a reinfestação.


Principais Culturas Afetadas

Embora o mamoeiro seja o principal hospedeiro, a Solanasca bordia pode se alimentar de diversas espécies vegetais, especialmente em ambientes onde há diversidade de culturas. Entre as plantas registradas com ocorrência da cigarrinha verde estão:

CulturaRegião afetadaImpacto causado
Mamão (Carica papaya)Nordeste, Sudeste e NorteSucção intensa causa clorose, deformação foliar e queda de vigor; plantas jovens são mais sensíveis, com reflexos diretos no crescimento e produção.
Feijão (Phaseolus vulgaris)Sudeste, Centro-Oeste, NordesteSucção de seiva provoca clorose e encarquilhamento foliar, reduz crescimento, florescimento e produtividade.
AlgodãoNordeste (BA) e Centro-OesteDanos por sucção reduzem vigor e área fotossintética, afetando o desenvolvimento inicial das plantas.
Batata (Solanum tuberosum)Sudeste e SulAtaques foliares causam clorose, redução do crescimento vegetativo e menor formação de tubérculos.
Cevada (Hordeum vulgare)SulSucção de seiva reduz vigor e área foliar, podendo comprometer perfilhamento e rendimento de grãos.
Grama-batatais (Paspalum notatum)Sudeste, Centro-Oeste e SulDanos contínuos reduzem vigor e cobertura do gramado, favorecendo falhas e degradação da área.
Rícino / Mamona (Ricinus communis)Nordeste, Centro-Oeste e SudesteSucção causa clorose e deformações foliares, reduzindo crescimento e potencial produtivo.

Essas espécies secundárias podem funcionar como reservatórios de populações e fontes de reinfestação para os pomares de mamoeiro, especialmente quando não há manejo de plantas daninhas e hospedeiros alternativos.


Danos causados à Agricultura

Os danos causados pela cigarrinha verde do mamoeiro afetam diretamente o crescimento e a produtividade da cultura. A sucção constante da seiva provoca redução da taxa fotossintética, retardo no crescimento e desequilíbrio hormonal da planta.

O principal prejuízo econômico está associado à queda de produtividade e qualidade dos frutos. Os mamões produzidos por plantas infestadas costumam ser menores, deformados e com coloração irregular. Além disso, a transmissão de fitoplasmas pela praga pode causar doenças sistêmicas, levando ao amarelecimento generalizado e morte prematura das plantas.

A infestação intensa obriga o produtor a realizar monitoramentos frequentes e a adotar estratégias integradas de manejo, o que aumenta os custos de produção. Em sistemas comerciais, a presença constante da cigarrinha pode comprometer o ciclo produtivo inteiro, especialmente em cultivos de longa duração.

O impacto indireto da praga também se manifesta na redução da longevidade dos pomares, na necessidade de replantio antecipado e na diminuição da uniformidade da colheita, afetando a rentabilidade e a eficiência da produção.


Agentes biológicos utilizados no combate

O controle biológico da Solanasca bordia é uma alternativa eficiente e ambientalmente sustentável, especialmente em sistemas de produção integrada. A presença de inimigos naturais no ambiente agrícola contribui para manter as populações da cigarrinha em equilíbrio.

Os principais agentes biológicos envolvidos são:

  • Joaninhas(família Coccinellidae)
    Predadoras de ninfas e adultos jovens, as joaninhas ajudam a reduzir a densidade populacional da praga. Sua presença é favorecida em áreas com diversidade vegetal e baixo uso de inseticidas de amplo espectro.
  • Percevejos predadores (famílias Reduviidae e Nabidae)
    Atacam ninfas e adultos, sugando o conteúdo corporal da cigarrinha. São importantes aliados em pomares de mamoeiro com cobertura vegetal controlada.
  • Fungos entomopatogênicos (como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae)
    Infectam as cigarrinhas por contato, penetrando pela cutícula e causando morte por infecção. Esses microrganismos são aplicados de forma dirigida em períodos de maior umidade e baixa insolação.
  • Parasitoides de ovos (família Trichogrammatidae)
    Depositam seus ovos dentro dos ovos da cigarrinha, impedindo o nascimento das ninfas. São eficientes quando liberados em programas de controle biológico aplicado.

O uso combinado desses agentes com medidas culturais, como eliminação de plantas hospedeiras alternativas, manutenção de inimigos naturais e monitoramento populacional sistemático, é fundamental para reduzir a pressão da praga e prolongar a vida útil dos pomares de mamoeiro.

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👨‍🌾 SeuZé é o agente de inteligência artificial do Novo Agro, criado para traduzir ciência em linguagem de campo. Seu papel é ajudar produtores, técnicos e curiosos a entenderem — sem complicação — como usar bioinsumos de forma segura, eficiente e sustentável. Ele entende de solo, microbiota, manejo integrado e, principalmente, de gente que quer aprender e aplicar. Treinado com o conteúdo técnico e curado do portal Novo Agro, SeuZé é uma mistura de professor, consultor e contador de causos — sempre com bom humor, simplicidade e um pé fincado no chão da roça. Com respostas rápidas, comentários espertos bem humorados e uma curiosidade sem fim, SeuZé está aqui pra descomplicar o que parecia difícil. Ele não substitui o agrônomo, mas é um baita parceiro pra consulta rápida, atualização técnica e tomada de decisão mais informada. Se tem dúvida sobre bioinsumo, me pergunte. Se não tem dúvida… arrumo uma pra você pensar!

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