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Cigarrinha-do-Milho (Dalbulus maidis)


Nome(s) popular(es)

A Dalbulus maidis é conhecida popularmente como cigarrinha-do-milho, cigarrinha-verde-do-milho ou simplesmente cigarrinha. Essa praga ganhou notoriedade nos últimos anos por ser o principal vetor de doenças conhecidas como complexo de enfezamentos e vira-cabeça, que causam sérios prejuízos à cultura do milho em diversas regiões do Brasil e da América Latina.


Características e Mecanismo de Ação

A cigarrinha-do-milho é um inseto da ordem Hemiptera e da família Cicadellidae. Mede entre 3 e 4 milímetros de comprimento, apresenta coloração amarelada a esbranquiçada, corpo alongado e asas transparentes com leve reflexo esverdeado. Possui alta mobilidade e capacidade de voo, o que facilita a rápida disseminação entre lavouras.

O mecanismo de ação da praga está diretamente relacionado à sua alimentação e transmissão de patógenos. A cigarrinha se alimenta sugando a seiva do floema das plantas de milho por meio de seu aparelho bucal picador-sugador. Durante esse processo, ela transmite fitopatógenos — principalmente os molicutes Spiroplasma kunkelii (enfezamento pálido), Maize bushy stunt phytoplasma (enfezamento vermelho) e o vírus Maize rayado fino virus (MRFV).

Esses micro-organismos se multiplicam dentro do corpo do inseto e são transmitidos de forma persistente e propagativa, ou seja, uma vez infectada, a cigarrinha permanece como vetor durante toda a sua vida. O dano principal não é o consumo de seiva, mas a inoculação dos patógenos que causam sintomas severos e irreversíveis na planta.


Sintomas da praga

Os sintomas aparecem de 10 a 20 dias após a infecção e variam conforme o patógeno envolvido:

  • Enfezamento pálido (Spiroplasma kunkelii): provoca clorose generalizada, folhas esbranquiçadas e plantas atrofiadas. As nervuras tornam-se translúcidas e há redução no desenvolvimento das espigas.
  • Enfezamento vermelho (Maize bushy stunt phytoplasma): causa coloração avermelhada nas folhas, encurtamento de internódios e perfilhamento excessivo. As espigas tornam-se pequenas e com grãos malformados.
  • Vírus do raiado fino (MRFV): manifesta-se por linhas amareladas longitudinais nas folhas e redução no tamanho da planta.

Em geral, as plantas infectadas apresentam crescimento reduzido, má formação das espigas e baixa produção de grãos. A infecção precoce, ainda no estádio vegetativo, resulta nas maiores perdas. Em lavouras severamente atacadas, é comum observar falhas na colheita, desuniformidade e produtividade próxima a zero.


Ciclo de vida

A cigarrinha-do-milho possui ciclo rápido e contínuo, favorecido por altas temperaturas e disponibilidade constante de plantas hospedeiras. O ciclo total dura em média 25 a 35 dias.

  • Ovos: são depositados no interior do tecido foliar, próximos à nervura central. Têm formato alongado e coloração esbranquiçada. O período embrionário varia de 5 a 10 dias.
  • Ninfas: passam por cinco ínstares antes de atingir a fase adulta, com duração de 10 a 15 dias. As ninfas são semelhantes aos adultos, porém sem asas e de coloração mais clara.
  • Adultos: vivem de 25 a 40 dias. Após a infecção com molicutes ou vírus, tornam-se vetores por toda a vida.

A reprodução é contínua, e em regiões tropicais é possível observar várias gerações sobrepostas ao longo do ano, especialmente em áreas com milho safrinha ou milho voluntário (“tiguera”), que servem de ponte verde para a manutenção das populações e dos patógenos.


Principais Culturas Afetadas

Embora o milho seja o hospedeiro preferencial e essencial para o ciclo da Dalbulus maidis, outras plantas podem servir como refúgio ou hospedeiros secundários temporários. As principais plantas associadas são:

CulturaRegião afetadaImpacto causado
Milho (Zea mays)Todas as regiões produtoras: Centro-Oeste, Sudeste, Sul, Nordeste e MATOPIBATransmite enfezamentos pálido e vermelho e virose; causa redução de estande, má formação de espigas e perdas de 30–100% em infestações severas.
Milho safrinhaCentro-Oeste, Sudeste e SulAlta pressão populacional entre safras; infecção precoce eleva drasticamente perdas produtivas e inviabiliza lavouras em anos epidêmicos.
Milho voluntário (“tigueras”)Todas as regiões com sucessão de milhoNão é cultura comercial, mas mantém e multiplica o inseto e os patógenos, sustentando epidemias regionais.

    Apesar da ampla movimentação, é apenas no milho que o inseto completa seu ciclo e multiplica os patógenos de forma eficiente.

    Também há presença identificada em:

    CulturaRegião AfetadaImpacto Causado
    SorgoGeralEnfezamentos similares causam perdas significativas, porém secundárias
    GramíneasCamposSucção de seiva e transmissão de patógenos enfraquecem plantas

    Danos causados à Agricultura

    A cigarrinha-do-milho é uma das pragas mais destrutivas do cultivo de milho nas Américas. Os danos diretos pela sucção de seiva são secundários, mas os danos indiretos pela transmissão de doenças são devastadores. Em áreas altamente infestadas, as perdas podem ultrapassar 70% da produtividade, especialmente quando a infecção ocorre nas primeiras fases do desenvolvimento da planta.

    Os enfezamentos e o vírus do raiado fino reduzem a fotossíntese, a translocação de nutrientes e o desenvolvimento vegetativo, resultando em plantas baixas, improdutivas e com espigas deformadas. Além das perdas quantitativas, há redução na qualidade dos grãos e aumento de custos com controle químico.

    Outro impacto importante é o efeito cumulativo entre safras: a presença constante de milho voluntário e o plantio escalonado permitem a sobrevivência contínua da pragae dos patógenos, dificultando o manejo. O uso repetido de inseticidas, por sua vez, tem levado à seleção de populações resistentes, tornando a praga ainda mais difícil de controlar.

    A disseminação rápida da cigarrinha em diferentes regiões produtoras tem alterado o planejamento do calendário agrícola e exigido novas estratégias de manejo integrado.


    Agentes biológicos utilizados no combate

    O controle biológico da Dalbulus maidis é uma alternativa estratégica e ambientalmente segura dentro do Manejo Integrado de Pragas (MIP), com foco em reduzir populações e limitar a transmissão dos patógenos.

    • Fungos entomopatogênicos (Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae)
      Altamente eficazes em condições de alta umidade. Infectam os insetos por contato, colonizando internamente até a morte. Podem ser aplicados via pulverização foliar em diferentes estádios da cultura.
    • Parasitoides de ovos (Anagrus spp. e Gonatocerus spp.)
      Parasitismo natural de ovos da cigarrinha, reduzindo a emergência de novas ninfas. São importantes agentes reguladores em áreas com vegetação nativa próxima às lavouras.
    • Predadores (aranhas, crisopídeos e percevejos predadores)
      Alimentam-se de ninfas e adultos jovens, auxiliando no controle populacional. A conservação desses inimigos naturais depende da redução no uso de inseticidas de amplo espectro.
    • Microrganismos simbióticos e bioinseticidas à base de bactérias
      Pesquisas recentes indicam que Bacillus thuringiensis pode afetar o comportamento alimentar das cigarrinhas, embora com eficácia limitada.

    Além dos agentes biológicos, práticas culturais complementares são essenciais, como eliminação de milho tiguera, sincronização de plantio e uso de híbridos tolerantes. A integração dessas medidas reduz significativamente o impacto do complexo de enfezamentos e mantém a sustentabilidade do sistema produtivo.

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