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Do Boom à Consolidação: Os Desafios e Oportunidades do Mercado de Biológicos no Brasil

A segunda edição do Biosummit que ocorreu em Campinas no mês passado mostrou que o evento veio para ficar no calendário do setor. Além de muita conexão entre os players do mercado, houve muita informação nos painéis, sempre dinâmicos e bem pautados.

Um dos pontos que pude ver muito interesse e venho trazer aqui neste artigo, é sobre os próximos passos do mercadode biológicos no Brasil. Sim, tudo é uma análise da fotografia atual, que pode mudar com o tempo, mas o interesse de todos é genuíno, pois sejam pesquisadores, indústrias ou produtores, todos precisam tomar decisões de como vão seguir daqui para frente.

Uma pequena avaliação do que nos trouxe até aqui neste mercado: tivemos um crescimento de área com uso de biológicos de 29% nas últimas 6 safras, hoje temos o uso de algum tipo de biológicos em 43% de 85 milhões de hectares.

Olhando para frente temos uma análise bem-conceituada da consultoria Blink, que prevê um crescimento de faturamento deste mercado de R$3,8 bilhões atuais, para R$ 6 bilhões em 2029. No mesmo ano se prevê que a área com biológicos irá crescer acima de 40% do que temos hoje.

Claro que esse cenário não é novidade para quem está no setor, e por isso tivemos um aumento considerável de CNPJs, chegando em janeiro deste ano em mais de 150 empresas cadastradas com o CNAE de produtores de bioinsumos. Com tantos novos players, já era imaginável que houvesse uma estagnação no crescimento. E foi isso que observamos nas últimas duas safras.

Nada alarmante, mas um pouco decepcionante para quem investiu imaginando que continuaríamos na mesma velocidade dos últimos anos, e vemos agora um crescimento mais tímido. As duas causas de reduzirmos o crescimento está na inovação e na aprovação.

Claro que esse cenário não é novidade para quem está no setor, e por isso tivemos um aumento considerável de CNPJs, chegando em janeiro deste ano em mais de 150 empresas cadastradas com o CNAE de produtores de bioinsumos. Com tantos novos players, já era imaginável que houvesse uma estagnação no crescimento. E foi isso que observamos nas últimas duas safras.

Nada alarmante, mas um pouco decepcionante para quem investiu imaginando que continuaríamos na mesma velocidade dos últimos anos, e vemos agora um crescimento mais tímido. As duas causas de reduzirmos o crescimento está na inovação e na aprovação.

Claro que esse cenário não é novidade para quem está no setor, e por isso tivemos um aumento considerável de CNPJs, chegando em janeiro deste ano em mais de 150 empresas cadastradas com o CNAE de produtores de bioinsumos. Com tantos novos players, já era imaginável que houvesse uma estagnação no crescimento. E foi isso que observamos nas últimas duas safras.

Nada alarmante, mas um pouco decepcionante para quem investiu imaginando que continuaríamos na mesma velocidade dos últimos anos, e vemos agora um crescimento mais tímido. As duas causas de reduzirmos o crescimento está na inovação e na aprovação.

Poucas de todos esses CNPJs que entraram no mercado buscaram inovar, isso pelo fato que é necessário um bom investimento em pesquisa, e nem todos estão dispostos a isso. Em consequência temos na área de inoculantes, 90% dos produtos usados sendo Bradyrhizobuim e Azospirillum, além disso também temos apenas 4 nematicidas no mercado.

Hoje as 150 empresas que temos no setor, oferecem 600 produtos biológicos, porém todos eles provêm de apenas 15 cepas.

Por outro lado, temos uma dificuldade na aprovação do registro dos poucos produtos inovadores que foram desenvolvidos. Isso devido ao fato de nossa legislação não estar preparada para esses novos produtos. Isso é normal: a inovação anda sempre na frente das leis. Solução: foi debatida e aprovada a nova lei dos bioinsumos, porém ainda pendente de uma regulamentação, que está previsa para ano que vem. Até lá continuamos com empresas tendo dificuldades em inovar, investir alto, sem saber quando poderão lançar seu produto.

Hoje o registro de um produto não é tão fácil, custa de 1 até 2 milhões de reais e leva 5 anos. Porém ainda é metade do tempo em comparação ao registro de uma molécula química, e 10% mais em conta.

Na outra ponto temos um produtor rural que atualmente não consolida nenhuma marca como grande líder do mercado, ou seja, não temos um “top-of-mind”, e sim um cliente que compra pelo princípio ativo e não pelo nome do fabricante. Outro ponto é a confiança nos representantes, independente da empresa que ele esteja vestindo a camisa. Assim o produtor rural escolhe qual compra, e vê um mercado se “comoditizando”, com uma batalha de preços pelas marcas, redução de margens, deixando-o à vontade para escolher qual cabe melhor no seu bolso.

Essas reduções de margens provavelmente desencadearão num outro acontecimento neste mercado nos próximos anos: muitas aquisições, fusões e talvez algumas empresas ficando pelo caminho. Até aqui normal, isso já aconteceu no mercado de sementes e fertilizantes, para ficar somente nos exemplos desta área. Talvez, minha aposta, é que o grande líder deste mercado ainda nem tenha surgido.

E talvez esse líder seja quem focar na inovação, isso claro depende de mais investimento em pessoas, equipamentos e pesquisa, o que leva tempo, mas pode dar muitos lucros no futuro. Já existem técnicas na área de bioprocessos que podem ajudar o setor, que hoje busca apenas o cultivo de células, sendo possível que a edição genética, uso de metabólitos, de RNAI possam ser incorporados aos futuros produtos, quem sabe até mesmo auxiliados pelas Inteligências Artificiais para buscar mais respostas. Quem sabe daí teremos o tão sonhado bio-herbicída?

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Wladimir Grau hoje é socio-diretor da Allbiom, atuando a duas décadas na área de bioprocessos, veio da graduação em Química e fez estágio na área agrícola na Embrapa

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