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Estávamos juntos desde o início

A união de dois mundos
As algas deram origem às plantas terrestres em um processo evolutivo que durou milhões de anos. O ambiente pantanoso foi a primeira etapa, facilitando o acesso à água e aos nutrientes. Com o tempo, as plantas migraram para ambientes sólidos, com rochas em um ambiente inóspito.

Nesse ambiente úmido, surgiram as primeiras plantas, sem raízes e sem vasos de transporte. Com o tempo, elas evoluíram para colonizar ambientes rochosos — não o solo como o conhecemos hoje, mas rochas nuas e ainda com escassez de matéria orgânica.

Afinal, como essas plantas conseguiram se manter e se perpetuar nesses ambientes?

As evidências apontam a presença de fósseis fúngicos com estruturas semelhantes aos fungos micorrízicos arbusculares.

Esses fungos atuaram como raízes e ajudaram as plantas a conquistarem o ambiente terrestre.

Vamos juntos?
Os fungosprecisavam de abrigo e proteção, enquanto as plantas precisavam de uma ajudinha para absorver os escassos nutrientes e se proteger das condições climáticas imprevisíveis. Assim, iniciou-se uma união feliz e duradoura.

Até mesmo as plantas chamadas mais “evoluídas”, como as orquídeas, dependem de fungos para sobreviver.

Essa união fez a força: as raízes, agora aliadas às pequenas e potentes hifas fúngicas, puderam invadir locais improváveis e expandir suas fronteiras para além do imaginável.

Quilômetros de hifas podem aumentar em centenas de vezes a superfície de absorção das plantas, potencializando drasticamente a captação de nutrientes e de água.

Toda relação tem seus momentos de conflito

Nessa parceria entre plantas e fungos, as plantas fornecem abrigo e açúcares (energia), enquanto os fungos retribuem com proteção contra doenças e, principalmente, com absorção de água e nutrientes.

Um detalhe importante é que os fungos micorrízicos somente se multiplicam na presença das plantas, ou seja, sem planta, sem fungo.

As plantas usam o fósforocomo uma “régua” para medir essa relação. Quando há muito fósforo disponível no solo, elas reduzem ou até rompem a associação com os fungos micorrízicos.

Além disso, alguns fungos “preguiçosos” aproveitam-se da relação apenas para obter carbono, mas não são muito eficientes em fornecer nutrientes.

Por outro lado, há plantas mais exigentes, que só se relacionam com fungos específicos.

O que essa relação nos ensina na prática?

As plantas precisam de fósforo, os fungos precisam das plantas — e a agricultura precisa dos três.

Para que essa relação funcione bem, não podemos seguir os padrões da agricultura tradicional, baseada em muito fósforo e pouca micorriza.

Devemos agir como “cupido” dessa parceria: reduzir o excesso de fósforo no solo e favorecer a comunicação entre fungos micorrízicos eficientes e plantas dispostas a interagir.

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Biólogo graduado pela UFV, com Mestrado em Microbiologia Agrícola e Doutorado em Solos e Nutrição de Plantas pela ESALQ/USP. Atuou como Pós-Doutor na Embrapa Meio Ambiente, com financiamento da Fapesp. Possui MBA em Gestão de Negócios e Data Science pelo PECEGE/USP. Com 10 anos de experiência como professor em instituições de ensino superior, destacou-se por 3 anos na ESALQ/USP. Atualmente, é Diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Itatijuca Biotech, onde se dedica ao desenvolvimento de tecnologias baseadas em micro-organismos para o uso eficiente de fertilizantes e no controle de pragas e doenças

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