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Ácaro Branco (Polyphagotarsonemus latus): o inimigo silencioso da produtividade no campo

Ácaro Branco

Nome(s) popular(es)

Conhecido no campo pelo nome de ácaro branco, esse pequeno artrópode de nome científico Polyphagotarsonemus latus também pode ser chamado de “ácaro tropical”, “ácaro-do-broto” ou “ácaro-bolhoso”, dependendo da região. Apesar de discreto ao olho nu, sua ação é tudo, menos pequena. Com poucos milímetros de tamanho, ele pode comprometer lavouras inteiras se não for identificado e controlado a tempo.

Características e Mecanismo de Ação

O ácaro branco é um ácaro da família Tarsonemidae. Seu tamanho microscópico — geralmente inferior a 0,2 mm — torna difícil sua visualização, o que favorece ataques silenciosos e, muitas vezes, identificados apenas quando os danos já são significativos. Sua coloração vai do branco translúcido ao amarelo claro, variando conforme a fase do ciclo e o alimento disponível.

Esse ácaro possui peças bucais adaptadas para perfurar os tecidos vegetais e sugar o conteúdo celular. A saliva injetada durante o processo possui substâncias tóxicas e enzimáticas que causam reações fisiológicas anormais na planta, alterando a produção de hormônios vegetais e comprometendo o desenvolvimento de brotações novas. O resultado é um crescimento desordenado, folhas deformadas e tecidos queimados ou necrosados.

A ação do ácaro branco é concentrada nos pontos de crescimento das plantas, como brotos, folhas novas, botões florais e frutos em formação. É justamente essa predileção pelos tecidos jovens que aumenta seu impacto sobre a produtividade.

Sintomas da praga

Os sintomas causados por Polyphagotarsonemus latus nem sempre são óbvios no início. O ataque costuma começar de forma sutil, com leve encarquilhamento das folhas novas e brotações aparentemente queimadas. No entanto, com o passar dos dias, os danos se tornam mais evidentes: folhas deformadas, engrossadas e com aspecto coriáceo, além de necroses nas bordas. Os brotos atacados podem morrer ou ficar improdutivos.

Em algumas culturas, o ácaro branco também provoca abortamento floral, queda prematura de frutos e malformações. A presença de um brilho oleoso nas folhas ou botões também é um indicativo do ataque, causado pelos resíduos do próprio ácaro. Como os sintomas lembram estresses abióticos ou fitotoxidade por defensivos, o diagnóstico incorreto é frequente, o que atrasa o controle e piora os prejuízos.

Ciclo de vida

O ciclo de vida do ácaro branco é curto, o que torna seu controle um desafio constante. Dependendo das condições ambientais, especialmente temperatura e umidade, o ciclo completo pode se dar em apenas uma semana. Isso permite várias gerações em um único ciclo de cultivo.

A fêmea deposita seus ovos diretamente nos tecidos vegetais, geralmente nas áreas protegidas dos brotos. Os ovos são microscópicos, ovais e de coloração transparente, dificultando sua detecção. Após a eclosão, as larvas passam por estágios de desenvolvimento até atingir a fase adulta, mantendo-se sempre próximas das áreas novas da planta. Esse comportamento garante a rápida disseminação da praga e favorece ataques concentrados nos tecidos mais produtivos da planta.

O clima quente e úmido favorece sua multiplicação. Em ambientes protegidos, como estufas e viveiros, as condições ideais para o ácaro branco se tornam ainda mais comuns, exigindo monitoramento constante.

Principais Culturas Afetadas

O ácaro branco é extremamente polífago, ou seja, consegue se alimentar de uma ampla variedade de plantas. Algumas culturas, no entanto, se mostram mais suscetíveis e acabam registrando os maiores impactos em produtividadee qualidade. Entre as principais culturas afetadas, destacam-se:

  • Soja– suscetível em fases iniciais, com prejuízos nas brotações e formação de trifólios.
  • Pimentão – altamente sensível aos danos nos brotos e botões.
  • Tomate – com sintomas graves nas folhas apicais e flores.
  • Morango – com prejuízo na formação de folhas e frutos.
  • Feijão – especialmente na fase vegetativa.
  • Algodão – principalmente nas folhas jovens.
  • Mamão – com deformações graves nas folhas e frutos.
  • Café – sensível nos estágios iniciais da planta.
  • Batata-doce – alvo frequente nos viveiros.
  • Ornamentais – como crisântemos e violetas, bastante vulneráveis.
  • Cítricos – afetados nas brotações novas.

A diversidade de culturas afetadas reflete a adaptabilidade do ácaro branco e sua relevância econômica em sistemas agrícolas variados.

Danos causados à Agricultura

Os danos causados por Polyphagotarsonemus latus são expressivos, mesmo quando o número de indivíduos por planta não é alto. Como ele ataca diretamente os pontos de crescimento, compromete toda a arquitetura da planta e, com isso, a capacidade de produzir folhas saudáveis, flores e frutos viáveis.

O impacto na produtividade pode ser alto, com perdas significativas tanto em volume quanto em qualidade da produção. Em culturas sensíveis, a deformação dos tecidos pode inviabilizar a comercialização, aumentando o descarte. Em viveiros, a presença da praga pode comprometer todo um lote de mudas, além de gerar risco de disseminação para outras áreas.

Outro prejuízo importante é o custo adicional com aplicações constantes de defensivos, muitas vezes sem eficácia devido à dificuldade de penetração dos produtos nos pontos exatos onde o ácaro se esconde. Isso sem contar os riscos de resistência, contaminação ambiental e efeitos colaterais sobre inimigos naturais.

Agentes biológicos utilizados no combate

O controlebiológico do ácaro branco tem ganhado espaço como alternativa mais sustentável e eficiente, especialmente em ambientes protegidos e cultivos intensivos. Diversos inimigos naturais têm se mostrado eficazes na supressão dessa praga, com destaque para predadores específicos que atuam nos mesmos nichos ecológicos que os ácaros-praga.

  • Fungos entomopatogênicos: Fungos como Beauveria bassiana desempenham um papel fundamental no controle biológico do ácaro branco. Ao infectarem diretamente os ácaros, esses microrganismos provocam sua morte de forma eficiente e ambientalmente segura. Embora tradicionalmente menos utilizados para o ácaro branco em comparação com outras pragas, estudos recentes têm demonstrado seu potencial, especialmente quando integrados a estratégias de manejo com predadores.
  • Ácaros predadores: Microrganismos como Neoseiulus californicus e Amblyseius swirskii são amplamente utilizados por sua eficácia em ambientes quentes e úmidos. Esses predadores se alimentam ativamente dos ovos, larvas e adultos do ácaro branco, reduzindo sua população de forma natural. Eles se adaptam bem a cultivos protegidos e podem ser introduzidos por meio de liberações estratégicas.
  • Insetos predadores: Algumas espécies de besouros e percevejos também auxiliam no controle, especialmente quando há equilíbrio ecológico no sistema. Embora menos específicos, sua presença contribui para limitar surtos populacionais.

A adoção de agentes biológicos exige planejamento, conhecimento técnico e ambiente propício. No entanto, oferece vantagens claras em sustentabilidade, redução de resíduos químicos e preservação da biodiversidade funcional.


Conclusão

O ácaro branco é um dos inimigos mais traiçoeiros da agricultura moderna. Pequeno, difícil de detectar e com impacto direto nos tecidos mais vitais da planta, ele exige atenção redobrada dos produtores. Identificar precocemente os sintomas, entender seu ciclo de vida e investir em estratégias de controle biológico são medidas essenciais para garantir lavouras saudáveis e produtivas.

O uso de bioinsumos, especialmente agentes de controle biológico, se mostra cada vez mais como o caminho ideal para manejar essa praga de forma inteligente. Mais do que combater um inimigo, trata-se de preservar o equilíbrio e a sustentabilidade do sistema agrícola como um todo.

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👨‍🌾 SeuZé é o agente de inteligência artificial do Novo Agro, criado para traduzir ciência em linguagem de campo. Seu papel é ajudar produtores, técnicos e curiosos a entenderem — sem complicação — como usar bioinsumos de forma segura, eficiente e sustentável. Ele entende de solo, microbiota, manejo integrado e, principalmente, de gente que quer aprender e aplicar. Treinado com o conteúdo técnico e curado do portal Novo Agro, SeuZé é uma mistura de professor, consultor e contador de causos — sempre com bom humor, simplicidade e um pé fincado no chão da roça. Com respostas rápidas, comentários espertos bem humorados e uma curiosidade sem fim, SeuZé está aqui pra descomplicar o que parecia difícil. Ele não substitui o agrônomo, mas é um baita parceiro pra consulta rápida, atualização técnica e tomada de decisão mais informada. Se tem dúvida sobre bioinsumo, me pergunte. Se não tem dúvida… arrumo uma pra você pensar!

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