Traça-do-tomateiro (Tuta absoluta)
Nome(s) popular(es)
Tuta absoluta é conhecida popularmente como traça-do-tomateiro, broca-do-tomate, minadora-do-tomateiro ou traça-minadora. Trata-se de uma praga de alta relevância agrícola, amplamente distribuída em regiões produtoras de solanáceas, com destaque para o tomateiro, onde causa danos severos em diferentes fases do cultivo.
Características e Mecanismo de Ação
Tuta absoluta pertence à ordem Lepidoptera e à família Gelechiidae. O adulto é uma pequena mariposa de coloração acinzentada a marrom-clara, com cerca de 6 a 7 mm de comprimento e hábito predominantemente noturno. Apesar da curta longevidade do adulto, a espécie apresenta elevada capacidade reprodutiva.

Os danos são causados pelas larvas, que apresentam coloração esverdeada a creme e comportamento altamente ativo. O mecanismo de ação da praga baseia-se na alimentação interna dos tecidos vegetais, caracterizando um hábito minador. Após a eclosão, a larva penetra nas folhas, hastes, brotações ou frutos, formando galerias onde se alimenta e permanece protegida.
Esse tipo de ataque reduz a área fotossintética, compromete o desenvolvimento vegetativo e afeta diretamente a qualidade dos frutos. A praga apresenta elevada adaptação ao ambiente agrícola, ciclo curto e alta capacidade de sobrevivência, o que favorece infestações intensas e recorrentes.
Sintomas da praga
Os sintomas do ataque de Tuta absoluta variam conforme o órgão da planta atingido e o nível de infestação. Nas folhas, observam-se minas irregulares, inicialmente translúcidas, que evoluem para áreas necrosadas. Essas minas geralmente contêm excrementos escuros no interior, sinal característico da presença da larva.

Nos caules e brotações, o ataque provoca galerias internas, resultando em murcha localizada, quebra de ramos e atraso no crescimento da planta. Em plantas jovens, esse tipo de dano pode comprometer seriamente a arquitetura da cultura.
Nos frutos, a larva perfura a epiderme e se alimenta da polpa, formando galerias profundas, que facilitam a entrada de microrganismos oportunistas. Como consequência, ocorre apodrecimento, queda precoce e perda da qualidade comercial. Em infestações severas, a planta apresenta aspecto debilitado, com folhas secas e frutos inviáveis para comercialização.
Ciclo de vida
O ciclo de vida de Tuta absoluta é rápido e altamente dependente da temperatura, podendo variar de 25 a 40 dias em condições favoráveis. Essa característica permite a ocorrência de várias gerações ao longo do ano, especialmente em ambientes protegidos ou regiões de clima quente.
A fêmea deposita os ovos de forma isolada ou em pequenos grupos, principalmente na face inferior das folhas, hastes e cálices dos frutos. Os ovos apresentam coloração clara e eclodem em poucos dias. As larvas passam por quatro ínstares, período em que causam todos os danos à planta.
Após completar o desenvolvimento larval, ocorre a pupação, que pode se dar no solo, em restos vegetais ou na própria planta. A fase pupal dura cerca de uma a duas semanas. O adulto emerge, inicia rapidamente a reprodução e reinicia o ciclo. A sobreposição de gerações é comum, dificultando o manejo contínuo da praga.
Principais Culturas afetadas
Tuta absoluta apresenta preferência por plantas da família Solanaceae, embora possa utilizar hospedeiros alternativos. As 10 culturas mais afetadas são:
| Cultura | Região afetada | Impacto causado |
| Tomate (Solanum lycopersicum) | Todas as regiões produtoras: Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste, Sul | Larvas minam folhas, brotos e frutos; causam desfolha, perfurações, perdas diretas de produção e inviabilizam frutos para mercado. |
| Batata (Solanum tuberosum) | Sudeste e Sul | Mineração foliar reduz área fotossintética, enfraquece plantas e pode reduzir produtividade em altas infestações. |
| Berinjela | Sudeste, Nordeste | Danos em folhas e brotos reduzem vigor e potencial produtivo. |
| Pimentão / Pimenta | Sudeste, Nordeste, Centro-Oeste | Ataques foliares e em brotações reduzem crescimento e produção. |
| Hospedeiros alternativos (Solanaceae espontâneas) | Todas as regiões | Mantêm populações da praga entre ciclos, aumentando pressão e risco de surtos na cultura principal. |
Danos causados à Agricultura
Os danos causados por Tuta absoluta são amplos e afetam diretamente a produtividade e a qualidade da produção. A destruição do tecido foliar reduz a eficiência fotossintética, comprometendo o crescimento e o enchimento dos frutos. O ataque aos caules enfraquece a planta e interfere na condução de seiva.
Nos frutos, os danos são particularmente relevantes, pois resultam em perda direta da produção comercializável. Mesmo frutos com pequenas perfurações tornam-se inadequados para o mercado, além de apresentarem maior suscetibilidade a podridões.
Outro impacto importante é a dificuldade de controle, decorrente do hábito minador, da alta taxa reprodutiva e da capacidade de desenvolver resistência a diferentes grupos de inseticidas. A presença contínua da praga ao longo do ciclo da cultura exige monitoramento constante e estratégias integradas de manejo.
Agentes biológicos utilizados no combate
O controle biológico de Tuta absoluta é amplamente utilizado e considerado estratégico dentro do manejo integrado, especialmente para reduzir a pressão populacional e a dependência de inseticidas químicos.
- Parasitoides de ovos (Trichogramma pretiosum e Trichogramma galloi)
Atuam parasitando os ovos da praga, impedindo a eclosão das larvas e reduzindo a infestação inicial. - Parasitoides de larvas (Necremnus spp.)
Desenvolvem-se no interior das larvas, levando à sua morte antes da fase adulta. - Fungos entomopatogênicos (Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae)
Infectam larvas e adultos por contato, sendo aplicados via pulverização foliar, com melhor desempenho em condições de umidade adequada. - Bactérias entomopatogênicas (Bacillus thuringiensis)
Atuam por ingestão, afetando o trato digestivo das larvas jovens e reduzindo a sobrevivência populacional. - Predadores naturais
Insetos predadores, como percevejos e crisopídeos, contribuem para a redução das populações, especialmente em sistemas com maior diversidade biológica.
A integração do controle biológico com práticas culturais, monitoramento populacional e manejo adequado do ambiente é fundamental para reduzir os impactos de Tuta absoluta de forma consistente e sustentável.
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