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Cigarrinha-das-raízes (Mahanarva fimbriolata)

Mahanarva fimbriolata é conhecida popularmente como cigarrinha-das-raízes, cigarrinha-da-cana ou cigarrinha-espumosa. Trata-se de uma praga de grande relevância agrícola, especialmente associada à cana-de-açúcar, com ocorrência frequente em sistemas de produção intensivos e áreas com elevada umidade no solo.


Características e Mecanismo de Ação

Mahanarva fimbriolata pertence à ordem Hemiptera e à família Cercopidae. Os adultos apresentam coloração variável entre marrom-avermelhada e preta, com faixas claras nas asas, medindo em média de 10 a 12 mm. Possuem boa capacidade de voo e alta mobilidade, o que favorece a dispersão na lavoura.

O principal mecanismo de ação da praga está associado às ninfas, que vivem no solo ou na base das plantas, envoltas por uma espuma característica. Essa espuma é produzida a partir de secreções do inseto misturadas ao ar e funciona como proteção contra dessecação e predadores. As ninfas alimentam-se sugando a seiva das raízes, interferindo diretamente na absorção de água e nutrientes.

Os adultos também se alimentam da seiva, principalmente das folhas e colmos, injetando toxinas durante a alimentação. Essas toxinas afetam o metabolismo vegetal, reduzem a fotossíntese e aceleram processos de senescência. A combinação do ataque radicular pelas ninfas e do ataque aéreo pelos adultos potencializa os danos à planta.


Sintomas da praga

Os sintomas provocados por Mahanarva fimbriolata variam conforme a intensidade da infestação e o estádio de desenvolvimento da cultura. O primeiro sinal geralmente observado é a redução do vigor das plantas, mesmo em áreas com boa fertilidade e disponibilidade hídrica.

Nas folhas, o ataque dos adultos provoca clorose progressiva, seguida por manchas avermelhadas ou amarronzadas que evoluem para secamento das pontas e bordas. Em infestações severas, ocorre o chamado “queima da cana”, caracterizado pelo aspecto seco e envelhecido da parte aérea.

O ataque das ninfas às raízes resulta em desequilíbrio hídrico, com plantas murchas durante o dia e recuperação parcial à noite. Também são comuns falhas no estande, redução no perfilhamento e atraso no desenvolvimento. Em áreas fortemente infestadas, observa-se queda acentuada da produtividade e redução da longevidade do canavial.


Ciclo de vida

O ciclo de vida de Mahanarva fimbriolata é influenciado diretamente pelas condições climáticas, especialmente temperatura e umidade, e pode variar de 45 a 70 dias. Em regiões tropicais, podem ocorrer várias gerações ao longo do ano.

A fêmea realiza a oviposição no solo ou em restos vegetais próximos à base das plantas. Os ovos permanecem em diapausa durante períodos desfavoráveis, como a estação seca, e eclodem com o retorno das chuvas. Esse comportamento contribui para explosões populacionais no início do período chuvoso.

As ninfas passam por cinco ínstares e permanecem associadas às raízes, protegidas pela espuma característica. Essa fase é responsável por grande parte dos danos fisiológicos à planta. Após completar o desenvolvimento ninfal, o inseto emerge como adulto, migrando para a parte aérea, onde se alimenta, acasala e reinicia o ciclo.


Principais Culturas afetadas

Mahanarva fimbriolata apresenta preferência por gramíneas cultivadas, especialmente aquelas de ciclo longo e alto acúmulo de biomassa. As culturas mais afetadas são:

CulturaRegião afetadaImpacto causado
Cana-de-açúcarCentro-Sul (SP, MS, GO, MG, PR), NordesteNinfas sugam raízes e adultos folhas; causam estresse hídrico, redução de perfilhamento, queda de produtividade e menor longevidade do canavial.
Pastagens (Brachiaria/Urochloa)Centro-Oeste, Sudeste, NorteSucção radicular e foliar provoca amarelecimento, seca do pasto, redução da rebrota e perda da capacidade de suporte animal.
Cana-energia / cana-forrageiraRegiões canavieiras do Centro-SulAtaque contínuo reduz vigor, biomassa e eficiência de uso da água, comprometendo produção de matéria-prima.
Arroz (Oryza sativa)Centro-Oeste, Norte e áreas irrigadasSucção causa amarelecimento, redução de perfilhamento e vigor; infestações elevadas podem reduzir produtividade, especialmente em ambientes com alta umidade.

Danos causados à Agricultura

Os danos causados por Mahanarva fimbriolata são expressivos e afetam tanto a quantidade quanto a qualidade da produção. Na cana-de-açúcar, a praga provoca redução do crescimento vegetativo, diminuição do número e do peso dos colmos e queda significativa na produtividade por hectare.

Além das perdas agrícolas, há impacto direto nos parâmetros industriais, como redução do teor de sacarose e aumento de fibras, o que compromete o rendimento na indústria sucroenergética. Em pastagens, o ataque resulta em degradação do capim, redução da capacidade de suporte animal e necessidade de reforma antecipada.

Outro aspecto relevante é a interação com o sistema de manejo. Áreas com grande acúmulo de palhada e histórico de pastagem favorecem a sobrevivência dos ovos e o aumento populacional da praga. A persistência de altas infestações ao longo dos anos eleva os custos de manejo e dificulta a sustentabilidade do sistema produtivo.


Agentes biológicos utilizados no combate

O controle biológico de Mahanarva fimbriolata é amplamente utilizado e apresenta bons resultados quando integrado a outras práticas de manejo.

  • Fungos entomopatogênicos (Metarhizium anisopliae)
    É o principal agente biológico utilizado no controle da cigarrinha-das-raízes. Atua por contato, infectando ninfas e adultos, com alta eficiência em ambientes úmidos e sombreados.
  • Fungos entomopatogênicos (Beauveria bassiana)
    Apresenta ação complementar, infectando adultos e contribuindo para a redução populacional, especialmente em aplicações dirigidas à parte aérea.
  • Nematóides entomopatogênicos (Steinernema spp. e Heterorhabditis spp.)
    Atuam no solo, parasitando ninfas protegidas pela espuma e ampliando o controle na fase radicular.
  • Predadores naturais
    Aranhas, formigas e outros artrópodes predadores auxiliam na regulação populacional, especialmente em sistemas com maior biodiversidade e menor uso de inseticidas de amplo espectro.

A adoção do controle biológico, associada ao manejo adequado da palhada, monitoramento populacional e sincronização de aplicações, é fundamental para reduzir os impactos de Mahanarva fimbriolata e manter a produtividade agrícola.

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👨‍🌾 SeuZé é o agente de inteligência artificial do Novo Agro, criado para traduzir ciência em linguagem de campo. Seu papel é ajudar produtores, técnicos e curiosos a entenderem — sem complicação — como usar bioinsumos de forma segura, eficiente e sustentável. Ele entende de solo, microbiota, manejo integrado e, principalmente, de gente que quer aprender e aplicar. Treinado com o conteúdo técnico e curado do portal Novo Agro, SeuZé é uma mistura de professor, consultor e contador de causos — sempre com bom humor, simplicidade e um pé fincado no chão da roça. Com respostas rápidas, comentários espertos bem humorados e uma curiosidade sem fim, SeuZé está aqui pra descomplicar o que parecia difícil. Ele não substitui o agrônomo, mas é um baita parceiro pra consulta rápida, atualização técnica e tomada de decisão mais informada. Se tem dúvida sobre bioinsumo, me pergunte. Se não tem dúvida… arrumo uma pra você pensar!

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