Aplicação destaque Manutenção SEO irrigação, microrganismos, sustentabilidade Dona Zefa 0 Comentários 117 Visualizações
Dá Pra Aplicar Insumos Biológicos Pela Irrigação?
A resposta curta é: sim, dá! E pode ser uma mão na roda para o produtor que quer economizar tempo e trabalho. Mas como tudo na agricultura, não é só chegar aplicando e achar que vai funcionar. Tem que saber como fazer direito para não desperdiçar produto e garantir que os microrganismos cheguem vivos e prontos para trabalhar.
A irrigação pode ser um caminho inteligente para aplicar bioinsumos, principalmente em áreas grandes, onde fazer pulverizações convencionais daria muito mais trabalho. Imagine só: em vez de passar com o trator ou o pulverizador, você já aproveita o sistema de irrigação que já está instalado para distribuir os microrganismos pelo campo. Parece ótimo, né? E é, mas tem alguns detalhes que fazem toda a diferença.
Primeiro, tem que ver se o seu sistema de irrigação é adequado para isso. Os sistemas por gotejamento e aspersão são os mais usados para aplicar bioinsumos, mas cada um tem suas particularidades. No gotejamento, por exemplo, a água vai direto na raiz, o que é ótimo para biofertilizantes e microrganismos que colonizam o solo ou a rizosfera. Já a aspersão molha as folhas e o solo, então pode ser usado tanto para produtos que atuam na parte aérea quanto no solo.
O grande segredo está em como os microrganismosvão reagir ao passar pelo sistema. Algumas bactérias e fungos são mais resistentes e aguentam bem o caminho pelos canos e bicos de irrigação. Outros são mais sensíveis e podem morrer se a pressão for muito alta ou se a água tiver cloro, por exemplo. Por isso, é importante escolher produtos formulados especialmente para aplicação via água, porque eles já vêm preparados para resistir a essas condições.
Outro ponto importante é a qualidade da água. Se a sua irrigação usa água de poço ou de rio, pode ser que não tenha problema. Mas se a água for tratada com cloro, como em alguns sistemas urbanos, isso pode matar os microrganismos antes mesmo de eles chegarem ao solo. Nesse caso, vale a pena deixar a água descansar um pouco antes de misturar o produto ou usar um neutralizador de cloro.
O horário da aplicação também faz diferença. Se você aplicar em pleno sol quente, muitos microrganismos podem não sobreviver, especialmente os fungos, que preferem umidade e temperaturasmais amenas. O ideal é aplicar no fim da tarde ou de manhã cedo, quando o sol está mais fraco e a umidade relativa do ar é maior. Assim, você dá uma chance a mais para que eles se estabeleçam no solo ou nas plantas.
E não dá para esquecer da limpeza do sistema depois da aplicação. Alguns microrganismos podem grudar nas tubulações e, com o tempo, entupir bicos e filtros. Por isso, é bom dar uma lavada com água limpa depois de aplicar os bioinsumos, principalmente se o sistema ficar muito tempo parado entre uma irrigação e outra.
Agora, será que vale a pena aplicar tudo pela irrigação? Depende. Para alguns bioinsumos, como os que protegem contra doenças foliares, pode ser melhor fazer uma aplicação direta nas folhas, porque a irrigação nem sempre molha toda a planta igualmente. Já para microrganismos que trabalham no solo, a irrigação pode ser perfeita, porque leva eles exatamente para onde precisam estar: perto das raízes, desde que tenha volume de água suficiente para isso.
No final das contas, aplicar insumos biológicos via irrigação é possível e pode ser muito prático, mas exige um pouco de planejamento. Tem que escolher o produto certo, ajustar o sistema e ficar de olho nas condições do ambiente. Quando tudo é feito do jeito certo, os resultados podem ser ótimos: menos trabalho, menos custo e um campo cheio de vida trabalhando a seu favor.
Então, se você já tem um sistema de irrigação na sua propriedade, por que não testar? Comece com uma área pequena, acompanhe os resultados e vá ajustando o que for preciso. Aos poucos, você descobre a melhor forma de usar essa tecnologia a seu favor e aproveita tudo o que os insumos biológicos têm a oferecer – sem gastar tempo e energia a mais.
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