Broca-gigante-da-cana (Castnia licus)
Nome(s) popular(es)
Castnia licus é conhecida popularmente como broca-gigante, broca-gigante-da-cana, mariposa-da-cana, broca-da-raiz ou broca-castnia. Trata-se de uma praga de hábito oculto, associada principalmente a culturas perenes e semi-perenes, com destaque para a cana-de-açúcar, onde provoca danos severos ao sistema radicular e à base do colmo.
Características e Mecanismo de Ação
A Castnia licus pertence à ordem Lepidoptera e à família Castniidae. O adulto é uma mariposa de grande porte, com envergadura alar que pode ultrapassar 10 cm, asas escuras com manchas claras e voo diurno, frequentemente confundido com borboletas. Apesar do tamanho e visibilidade do adulto, é a fase larval que causa os danos econômicos.
As lagartas apresentam coloração clara a amarelada, corpo robusto e cabeça bem desenvolvida, podendo ultrapassar 8 cm de comprimento. O mecanismo de ação da praga baseia-se no ataque interno aos tecidos vegetais, principalmente na região do colo, rizomas e raízes. Após a eclosão, a larva penetra no tecido vegetal e passa a se alimentar internamente, abrindo galerias extensas.
Essa alimentação compromete a condução de água e nutrientes, enfraquece a estrutura da planta e cria portas de entrada para microrganismos oportunistas. Como a praga permanece protegida dentro da planta durante grande parte do ciclo, sua detecção e controle tornam-se mais complexos.
Sintomas da praga
Os sintomas da infestação por Castnia licus costumam aparecer de forma gradual e são mais evidentes em plantas adultas. Inicialmente, observa-se redução no vigor vegetativo, com plantas apresentando crescimento lento e coloração menos intensa.
Com o avanço da infestação, surgem sinais mais claros, como murcha mesmo em condições adequadas de umidade, amarelecimento progressivo das folhas e facilidade no tombamento das plantas. Em cana-de-açúcar, é comum o secamento de perfilhos, falhas na brotação e morte de touceiras inteiras.
Na base do colmo ou próximo ao solo, podem ser observados orifícios de entrada e saída, presença de exsudatos escurecidos e acúmulo de resíduos da alimentação larval. Em ataques severos, o sistema radicular fica amplamente destruído, inviabilizando a rebrota e reduzindo drasticamente a longevidade do canavial.
Ciclo de vida
O ciclo de vida da Castnia licus é relativamente longo e pode ultrapassar um ano, dependendo das condições ambientais. Esse ciclo prolongado contribui para a persistência da praga na área.
A fêmea adulta realiza a oviposição no solo, em restos culturais ou próximo à base das plantas. Os ovos apresentam coloração clara e eclodem após algumas semanas. As larvas recém-eclodidas migram rapidamente para a planta hospedeira, onde penetram nos tecidos subterrâneos ou na base do colmo.
A fase larval é a mais longa e pode durar vários meses, período em que a lagarta se alimenta intensamente e amplia as galerias internas. Após completar o desenvolvimento, a larva constrói uma câmara pupal dentro da própria planta ou no solo adjacente.
A fase de pupa dura algumas semanas, dando origem ao adulto, que emerge principalmente em períodos mais quentes e úmidos. Os adultos apresentam curta longevidade, com foco quase exclusivo na reprodução, reiniciando o ciclo.
Principais Culturas afetadas
A Castnia licus apresenta preferência por culturas de maior porte e sistema radicular desenvolvido. As culturas mais destacadas associadas à praga são:
| Cultura | Região afetada | Impacto causado |
|---|---|---|
| Cana-de-açúcar | Nordeste (histórico), Norte, Centro-Sul (SP, MG, PR, MS) | Larvas perfuram colmos e rizomas, causam queda de plantas, perdas de 20–60% da produção e abrem portas para doenças secundárias. (Cana Online) |
| Bananeira (Musa spp.) | Rondônia (região Norte), Acre | Lagartas penetram no pseudocaule, debilitam plantas, causam tombamento e perdas na produtividade. (Ambientebrasil) |
| Pineapple (abacaxi) | Distribuição em áreas tropicais do país (ocorrência documentada) | Larvas podem atacar tecidos internos do caule/colmo, debilitando plantas e reduzindo produção. |
Danos causados à Agricultura
Os danos causados pela Castnia licus são majoritariamente estruturais e fisiológicos, refletindo diretamente na produtividade e na longevidade das culturas. A destruição parcial ou total do sistema radicular e da base do caule reduz drasticamente a capacidade de absorção de água e nutrientes.
Em cana-de-açúcar, os prejuízos incluem redução do estande, queda na produtividade por hectare, menor teor de sacarose e necessidade de renovação precoce do canavial. Em culturas perenes, os danos se estendem por vários ciclos produtivos, elevando os custos de manejo e reposição de plantas.
Outro impacto relevante é o aumento da suscetibilidade a patógenos, já que as galerias abertas pelas larvas facilitam a entrada de fungos e bactérias causadores de podridões. A natureza oculta do ataque dificulta o controle químico e favorece a evolução de infestações silenciosas, que só são percebidas quando os danos já são extensos.
Agentes biológicos utilizados no combate
O controle biológico de Castnia licus é uma alternativa importante dentro de programas de manejo integrado, especialmente devido à limitação do controle químico em pragas de hábito interno.
- Fungos entomopatogênicos (Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae)
Atuam por contato, infectando larvas e pupas presentes no solo ou próximas à base da planta. São utilizados principalmente em aplicações direcionadas ao solo e à região do colo. - Nematóides entomopatogênicos (Steinernema spp. e Heterorhabditis spp.)
Penetram no corpo das larvas por aberturas naturais, liberando bactérias simbióticas que levam o inseto à morte. Apresentam boa adaptação ao ambiente do solo e às galerias larvais. - Parasitoides naturais de ovos e larvas
Embora menos específicos, contribuem para a redução populacional ao longo do tempo, especialmente em áreas com maior biodiversidade. - Microrganismos do solo com ação antagonista
Atuam de forma indireta, criando um ambiente menos favorável à sobrevivência das larvas e pupas da praga.
A integração do controle biológico com práticas culturais, como eliminação de restos infestados e manejo adequado do solo, é fundamental para reduzir a pressão populacional e os danos causados por Castnia licus.
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