Falsa-Medideira (Chrysodeixis includens)
Nome(s) popular(es)
A Chrysodeixis includens é conhecida principalmente como falsa-medideira ou lagarta-falsa-medideira. O nome deriva de seu movimento típico, semelhante ao das lagartas medideiras verdadeiras, embora pertença a outra família. Essa praga se destaca como uma das principais desfolhadoras da soja e de outras leguminosas nas regiões tropicais e subtropicais das Américas.
Características e Mecanismo de Ação
A falsa-medideira é o estágio larval de uma mariposa noturna da família Noctuidae. Os adultos apresentam asas anteriores marrom-acinzentadas com reflexos metálicos e um pequeno desenho dourado, característico da espécie. As asas posteriores são mais claras, e o corpo mede cerca de 1,5 cm. As fêmeas depositam ovos isolados ou em pequenos grupos na parte inferior das folhas.
As lagartas recém-nascidas têm coloração esverdeada e se diferenciam por possuírem apenas dois pares de falsas pernas abdominais, o que as obriga a se movimentar em formato de “alça”. À medida que se desenvolvem, tornam-se mais robustas, atingindo até 3 cm de comprimento.
O mecanismo de ação está baseado na alimentação direta da área foliar. As lagartas jovens raspam a epiderme das folhas, deixando pequenas manchas translúcidas, enquanto as mais velhas perfuram e consomem totalmente o tecido foliar, restando apenas as nervuras principais. Em infestações elevadas, podem também atacar flores e vagens, interferindo na formação e enchimento dos grãos. A ação da praga ocorre principalmente à noite, quando as temperaturas são mais amenas e há menor atividade de predadores.
Sintomas da praga
Os primeiros sintomas aparecem como raspagens e pequenas perfurações nas folhas, causadas pelas lagartas jovens. Com o avanço da infestação, observa-se perda acentuada de área foliar, resultando em folhas com aparência “rendilhada”. Essa desfolha reduz a capacidade fotossintética e compromete o desenvolvimento das plantas.
Em ataques severos, a planta apresenta flores e vagens parcialmente destruídas, o que causa abortamento e redução no número de grãos. As folhas mais novas, localizadas no terço superior da planta, são as mais afetadas. A cultura infestada pode apresentar desuniformidade no crescimento e maturação precoce, refletindo diretamente na produtividade e na qualidade da colheita.
A distribuição dos danos é geralmente irregular, formando reboleiras que podem se expandir rapidamente conforme as lagartas se deslocam para novas plantas hospedeiras.
Ciclo de vida
O ciclo de vida da Chrysodeixis includens é rápido e altamente adaptável, variando de 25 a 35 dias, dependendo da temperatura e da disponibilidade de alimento.
- Ovos: são esféricos, esbranquiçados e de superfície lisa, colocados geralmente na parte inferior das folhas. A incubação leva de 3 a 5 dias.
- Lagarta: fase de maior impacto econômico, composta por seis ínstares e duração média de 12 a 18 dias. Nesse período, a lagarta consome grande quantidade de área foliar.
- Pupa: ocorre no solo, sob folhas secas ou restos culturais, com duração média de 7 a 10 dias. É um estágio de transição, em que a lagarta se transforma em mariposa.
- Adulto: vive de 7 a 12 dias, período suficiente para realizar postura de centenas de ovos e garantir a continuidade das gerações.
Em regiões tropicais, podem ocorrer diversas gerações ao longo do ano, com sobreposição de estágios. A presença de plantas hospedeiras alternativas durante a entressafra facilita a manutenção populacional e o rápido reinício das infestações na safra seguinte.
Principais Culturas Afetadas
A falsa-medideira tem comportamento polífago, ou seja, é capaz de se alimentar de várias espécies vegetais, incluindo culturas comerciais e plantas espontâneas. As principais culturas afetadas são:
| Cultura | Região afetada | Impacto causado |
|---|---|---|
| Soja | Todas as regiões produtoras: Centro-Oeste, Sudeste, Sul, MATOPIBA | Desfolha intensa, reduz área fotossintética, afeta enchimento de grãos e pode causar perdas superiores a 30% sem controle. |
| Algodão | Centro-Oeste (MT, MS, GO), Nordeste (BA) | Alimenta-se de folhas e estruturas reprodutivas, reduz vigor das plantas e compromete formação de maçãs. |
| Feijão | Sudeste, Centro-Oeste e Sul | Provoca desfolha rápida, reduz florescimento e enchimento de vagens, com impacto direto na produtividade. |
| Tomate | Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste | Danos foliares severos, redução do crescimento vegetativo e maior estresse da planta, favorecendo perdas indiretas. |
| Girassol e hortaliças | Regiões tropicais e subtropicais | Ataque foliar generalizado; plantas jovens são mais sensíveis, com redução de crescimento e produtividade. |
Danos causados à Agricultura
A Chrysodeixis includens é considerada uma das pragas mais importantes da soja e de outras leguminosas na América Latina. O principal dano é o consumo da área foliar, que reduz a capacidade fotossintética e compromete o enchimento dos grãos. Em casos de infestação intensa, as perdas podem ultrapassar 30% da produtividade, dependendo do estágio da cultura e do nível de desfolha.
Além dos danos diretos, há efeitos indiretos sobre o metabolismo das plantas, como a diminuição do teor de clorofila e a alteração na translocação de nutrientes. Em infestações tardias, a praga pode causar maturação desuniforme e grãos malformados, afetando o padrão de colheita.
Os custos de controle químico também são elevados, e o uso repetido de inseticidas tem levado à seleção de populações resistentes, o que reforça a importância do manejo integrado. Outro impacto relevante é o desequilíbrio ecológico causado pela redução de inimigos naturais, o que favorece o aumento de pragas secundárias.
O manejo deve se basear no monitoramento constante, observando o nível de desfolha e o estágio fenológico da cultura para definir o momento correto de intervenção. A integração de controle biológico, químico e cultural é a estratégia mais eficaz e sustentável para reduzir as perdas.
Agentes biológicos utilizados no combate
O controle biológico da falsa-medideira é uma das práticas mais eficientes e sustentáveis dentro do Manejo Integrado de Pragas (MIP). Diversos agentes naturais e bioinsumos têm sido utilizados para reduzir as populações da praga e manter o equilíbrio ecológico.
- Baculovírus (ChinNPV – Chrysodeixis includens nucleopolyhedrovirus)
Vírus entomopatogênico altamente específico, aplicado por via foliar. Atua após a ingestão pelas lagartas, causando infecção letal em poucos dias. É seguro para o ambiente e não afeta outras espécies benéficas. - Bactérias entomopatogênicas (Bacillus thuringiensis)
Produzem toxinas que destroem o epitélio intestinal das lagartas, levando à sua morte. São amplamente usadas em formulações biológicas e funcionam bem em programas de controle integrado. - Fungos entomopatogênicos (Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae)
Infectam as lagartas por contato, germinando sobre o tegumento e colonizando internamente o hospedeiro. São mais eficientes em ambientes com alta umidade. - Parasitoides (Trichogramma pretiosum e Telenomus remus)
Atuam parasitando ovos da praga, impedindo a eclosão das lagartas. São liberados em campo de forma preventiva, controlando as populações iniciais. - Predadores naturais (crisopídeos, joaninhas e aranhas)
Alimentam-se de ovos e lagartas jovens, contribuindo para o controle natural e para o equilíbrio do agroecossistema.
A combinação desses agentes, aliada ao monitoramento e à preservação dos inimigos naturais, reduz a necessidade de intervenções químicas e melhora a sustentabilidade da produção agrícola. O controle biológico, quando bem aplicado, mantém a praga abaixo do nível de dano econômico de forma duradoura e ambientalmente segura.
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