Mamão Pragas CigarrinhaVerde, Fitossanidade, Mamoeiro, pragas Seu Zé 0 Comentários 147 Visualizações
Cigarrinha Verde do Mamoeiro (Solanasca bordia)
Nomes populares
A Solanasca bordia é conhecida como cigarrinha verde do mamoeiro, nome que deriva de sua coloração predominante e do hábito de se alimentar da seiva das plantas. Em algumas regiões produtoras também é chamada apenas de cigarrinha do mamão ou cigarrinha-verde, dependendo da localidade e do estágio do inseto observado.
Características e Mecanismo de Ação
A cigarrinha verde do mamoeiro pertence à família Cicadellidae, grupo caracterizado por insetos pequenos, de corpo alongado e asas em forma de telha sobre o corpo. Os adultos medem cerca de 4 a 5 milímetros, têm coloração verde-clara translúcida e movimentos rápidos, pulando ou voando ao menor sinal de perturbação.
A praga se alimenta perfurando os tecidos das folhas e caules jovens com o estilete bucal adaptado para sucção. Essa alimentação constante drena a seiva elaborada, prejudicando o fluxo de nutrientes e provocando desequilíbrios fisiológicos na planta. Além do dano direto pela sucção, o inseto atua como vetor de patógenos, especialmente fitoplasmas e vírus associados ao amarelecimento e deformações foliares.
O mecanismo de ação da praga se baseia, portanto, em dois fatores: a extração contínua de seiva e a transmissão de agentes causadores de doenças, que podem comprometer seriamente a saúde e a produtividade das plantas de mamoeiro.
Sintomas da praga
Os primeiros sinais do ataque da Solanasca bordia aparecem nas folhas novas, que se tornam amareladas e com aspecto de murcha leve, mesmo em condições de boa umidade. Com o avanço da infestação, ocorre enrolamento e deformação foliar, seguido de redução do crescimento vegetativo.
As plantas afetadas tendem a apresentar internódios curtos, aspecto raquítico e florescimento irregular. Em casos mais severos, o mamoeiro desenvolve frutos deformados e com maturação desuniforme, o que compromete o valor comercial.
Outro sintoma comum é o acúmulo de exsudato açucarado (honeydew) nas folhas, resultado da alimentação do inseto. Esse material favorece o desenvolvimento de fumagina, um fungo escuro que recobre a superfície foliar e reduz ainda mais a fotossíntese.
A presença constante de cigarrinhas também causa estresse fisiológico, tornando a planta mais vulnerável a outras pragas e doenças.
Ciclo de vida
O ciclo de vida da cigarrinha verde do mamoeiro é rápido e altamente sensível à temperatura e à disponibilidade de alimento.
As fêmeas adultas depositam os ovos no interior dos tecidos foliares ou nos pecíolos, preferindo folhas jovens e tenras. Os ovos são alongados e quase invisíveis a olho nu, e a eclosão ocorre em poucos dias. As ninfas passam por cinco ínstares antes de se tornarem adultas, alimentando-se intensamente durante todo o desenvolvimento.
O ciclo completo pode variar entre 20 e 30 dias, com várias gerações ao longo do ano. Em regiões tropicais, as populações podem se manter ativas durante todo o período produtivo do mamoeiro, com picos de infestação durante meses quentes e secos.
A alta mobilidade dos adultos permite uma rápida dispersão entre plantas e áreas de cultivo, dificultando o controle e favorecendo a reinfestação.
Principais Culturas Afetadas
Embora o mamoeiro seja o principal hospedeiro, a Solanasca bordia pode se alimentar de diversas espécies vegetais, especialmente em ambientes onde há diversidade de culturas. Entre as plantas registradas com ocorrência da cigarrinha verde estão:
| Cultura | Região afetada | Impacto causado |
|---|---|---|
| Mamão (Carica papaya) | Nordeste, Sudeste e Norte | Sucção intensa causa clorose, deformação foliar e queda de vigor; plantas jovens são mais sensíveis, com reflexos diretos no crescimento e produção. |
| Feijão (Phaseolus vulgaris) | Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste | Sucção de seiva provoca clorose e encarquilhamento foliar, reduz crescimento, florescimento e produtividade. |
| Algodão | Nordeste (BA) e Centro-Oeste | Danos por sucção reduzem vigor e área fotossintética, afetando o desenvolvimento inicial das plantas. |
| Batata (Solanum tuberosum) | Sudeste e Sul | Ataques foliares causam clorose, redução do crescimento vegetativo e menor formação de tubérculos. |
| Cevada (Hordeum vulgare) | Sul | Sucção de seiva reduz vigor e área foliar, podendo comprometer perfilhamento e rendimento de grãos. |
| Grama-batatais (Paspalum notatum) | Sudeste, Centro-Oeste e Sul | Danos contínuos reduzem vigor e cobertura do gramado, favorecendo falhas e degradação da área. |
| Rícino / Mamona (Ricinus communis) | Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste | Sucção causa clorose e deformações foliares, reduzindo crescimento e potencial produtivo. |
Essas espécies secundárias podem funcionar como reservatórios de populações e fontes de reinfestação para os pomares de mamoeiro, especialmente quando não há manejo de plantas daninhas e hospedeiros alternativos.
Danos causados à Agricultura
Os danos causados pela cigarrinha verde do mamoeiro afetam diretamente o crescimento e a produtividade da cultura. A sucção constante da seiva provoca redução da taxa fotossintética, retardo no crescimento e desequilíbrio hormonal da planta.
O principal prejuízo econômico está associado à queda de produtividade e qualidade dos frutos. Os mamões produzidos por plantas infestadas costumam ser menores, deformados e com coloração irregular. Além disso, a transmissão de fitoplasmas pela praga pode causar doenças sistêmicas, levando ao amarelecimento generalizado e morte prematura das plantas.
A infestação intensa obriga o produtor a realizar monitoramentos frequentes e a adotar estratégias integradas de manejo, o que aumenta os custos de produção. Em sistemas comerciais, a presença constante da cigarrinha pode comprometer o ciclo produtivo inteiro, especialmente em cultivos de longa duração.
O impacto indireto da praga também se manifesta na redução da longevidade dos pomares, na necessidade de replantio antecipado e na diminuição da uniformidade da colheita, afetando a rentabilidade e a eficiência da produção.
Agentes biológicos utilizados no combate
O controle biológico da Solanasca bordia é uma alternativa eficiente e ambientalmente sustentável, especialmente em sistemas de produção integrada. A presença de inimigos naturais no ambiente agrícola contribui para manter as populações da cigarrinha em equilíbrio.
Os principais agentes biológicos envolvidos são:
- Joaninhas(família Coccinellidae)
Predadoras de ninfas e adultos jovens, as joaninhas ajudam a reduzir a densidade populacional da praga. Sua presença é favorecida em áreas com diversidade vegetal e baixo uso de inseticidas de amplo espectro. - Percevejos predadores (famílias Reduviidae e Nabidae)
Atacam ninfas e adultos, sugando o conteúdo corporal da cigarrinha. São importantes aliados em pomares de mamoeiro com cobertura vegetal controlada. - Fungos entomopatogênicos (como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae)
Infectam as cigarrinhas por contato, penetrando pela cutícula e causando morte por infecção. Esses microrganismos são aplicados de forma dirigida em períodos de maior umidade e baixa insolação. - Parasitoides de ovos (família Trichogrammatidae)
Depositam seus ovos dentro dos ovos da cigarrinha, impedindo o nascimento das ninfas. São eficientes quando liberados em programas de controle biológico aplicado.
O uso combinado desses agentes com medidas culturais, como eliminação de plantas hospedeiras alternativas, manutenção de inimigos naturais e monitoramento populacional sistemático, é fundamental para reduzir a pressão da praga e prolongar a vida útil dos pomares de mamoeiro.
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